Nossos Ensaios são investigações, mas são já ações poéticas também. Ensaio n. 7 talvez tenha sido, de tantas formas, o mais forte até agora. Você pergunta a alguém sobre um ponto decisivo em suas vidas – um momento em que elas tiveram que fazer uma escolha que levaria a uma vida totalmente diferente se não tivessem feito – e você pensa que vai ouvir sobre o vestibular ou sobre quando se mudaram de cidade. Mas as pessoas te contam verdadeiros poemas épicos, e com uma força de semideus no olhar. E o que elas te contam não é algo que costumam contar, mas você está fazendo arte com a vida delas, então é segredo não é pra ser mantido, é para ser dado, para ser transformado em algo material, com vida própria, como uma dança.

Mural copy

E depois das histórias, a pergunta da esfinge: “Você se arrepende?”.

“Não, porque quando tenho que fazer algo que é o melhor pra mim, eu endureço o coração e faço”.

“Eu tinha seis anos, era já mais maduro pra tomar uma decisão, meus irmãos eram muito novinhos”, disse o menino de 21 que mora nas ruas.

O outro menino, que carregava um tambor, não quis falar, preferia escrever, e também não quis que eu lesse naquele momento. Perguntou antes de se ir: “qual o seu signo?”. “Peixes”, respondi. “Sempre é”, ele devolveu, mostrando sua tatuagem no braço.

E havia este vovozinho, que foi quem me fez chorar: “Não me arrependo, eles eram meus pais, e você tem que cuidar dos seus pais. Mas eu me arrependo, porque eu teria tido a vida que eu sonhei. Então é isso: eu não me arrependo, mas eu me arrependo”.

* Na primeira foto: as performers Ana Ferreira e Jossane Ferraz segurando um cartaz que diz “Danço as vidas que não foram”. Na segunda: as conversas.

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Now, it is Essay n. 7

Our Essays are researches, but they are already poetic actions too. Essay n. 7 was perhaps the most strong until now, in so many different ways. You ask someone about a turning point in their lives–some time when they made a decision that if they didn’t their lives would be very different–and you think you are going to listen to something about their SATs or about when they moved to another city. But people tell you real epic poems, and they do it with demigod strength in their eyes. And what they tell you is not something they tell everybody, but you are making art with their lives, so the secret is not to be kept, it is to be given, so it can be transformed in something material, in something with its own life, like a dance.

And after the stories, the sphinx question: “Do you regret?”

“No, because when I have to do something that is the best for me, I harden my heart, and I do it.”

“I was six years old, I was already mature enough to make a decision, my brothers were too young”, said the 21 kid that lives in the streets.

This other kid, the one carrying a drum, preferred not to talk, he wanted to write, and he didn’t want me to read right away. He asked me before he left: “what is your zodiac sing?” “Pisces,” I answered. “It always is”, he answered back, showing me his arm tattoo.

And there was this little grandpa, the one that made me cry: “I do not regret, they were my parents, and you have to be there for your parents. In the other hand, I do regret, because I would have lived the life I dreamed. So, it is this way: I do not regret, but I do regret”.

* First picture: the performers Ana Ferreira and Jossane Ferraz holding a sign written “I dance the lives that haven’t been.” Second one: the talks.

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