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Notícias e informações sobre os projetos artísticos do Agora Coletivo

Agora é em espaço teatral

Impedido de se apresentar em espaço da SANEPAR, espetáculo As Cidades Invisíveis tem sua estreia adiada

(Foto: Eli Firmeza)

A peça teatral As Cidades Invisíveis do Agora Coletivo foi obrigada a adiar sua temporada devido a uma súbita desautorização. O espetáculo tinha estreia programada para esta sexta-feira (26) no Museu de Saneamento da SANEPAR, localizado no bairro do Tarumã. A decisão da empresa em cancelar a cessão do espaço chegou em cima da hora e sem justificativa.

Com as devidas liberações para temporada e ensaios, o grupo já vinha trabalhando no espaço há mais de um mês e realizou grande parte da composição dramatúrgica e cênica especificamente para o local. A peça aconteceria em uma trajetória pelo reservatório de água desativado e seu entorno.

Em conversa com diferentes setores da companhia de saneamento, a produção do Agora Coletivo tentou entender quais eram os motivos que levaram à decisão de cancelamento do uso do espaço. O grupo expôs que o projeto não poderia ser realocado sem prejuízos artísticos e financeiros e propôs se adequar a necessidades da SANEPAR. A empresa, no entanto, respondeu sempre que as motivações eram internas e, não as revelando, manteve o impedimento.

Agora, a obra está em processo de transformação para ocupar o Teatro Cleon Jacques a partir do dia 10 de maio, onde permanecerá em cartaz por três semanas em novo formato. Enquanto isso, o Agora Coletivo, visando obter uma justificativa formal da companhia de saneamento, protocolou nesta quarta-feira (24/04/2019), uma notificação extrajudicial perante a SANEPAR, expondo à companhia os transtornos de ordem administrativa, operacional e financeira decorrentes do cancelamento, de última hora, da autorização anteriormente firmada por aquela instituição.

 

Sobre o espetáculo

Diante de tempos tão inflamados, com ideais tão díspares entre as pessoas, como conviver com as diferenças em um mesmo espaço, casa, cidade, estado, país? Ainda mais, quando a delicada abertura ao outro, que é própria da arte, continua a ser compreendida como espaço para subjugar e exilar, como aconteceu com este espetáculo?

As Cidades Invisíveis traça uma narrativa que beira a linguagem dos sonhos, com imagens misteriosas, enigmáticas, e faz uma analogia entre as “cidades” e as atrizes que formam o elenco do trabalho. Inspirada na personalidade de cada uma delas, a peça é uma trajetória por suas histórias autobiográficas.

O processo teve como ponto de partida o livro homônimo de Ítalo Calvino e caminhadas por ruas do centro histórico de Curitiba, cidade que também tem aspectos presentes na dramaturgia. A noção de “território” como identidade e de “corpo” como território delineia um discurso que transita entre as ideias de vida e morte, viagem e morada, convite e expulsão, invasão e acolhimento. Agora, o trabalho assume, em seu percurso narrativo, também sua própria trajetória de remoção do espaço, dando foco ainda às diversas nuances das subjetividades das artistas que o compõem.

Adotando o onirismo como linguagem, o roteiro desenvolve uma linha narrativa singular, diferente de montagens tradicionais. Em cena vemos relatos autobiográficos e algumas digressões que carregam nuances de comicidade, crítica, ironia e também composições dramatúrgicas e visuais que podem sensibilizar o espectador em outros níveis. Quem aceitar o convite para visitar As Cidades Invisíveis conhecerá o resultado de um processo de criação intenso que toca diferentes áreas do conhecimento, como a filosofia, a psicologia, a espiritualidade, a arquitetura, a medicina holística e, claro, a arte.

Falar de cidades de forma poética – inspirados pelo modo como Calvino o faz – é uma maneira de colocar em perspectiva e de sensibilizar para o quanto viver em sociedade significa troca entre indivíduos complexos e repletos de subjetividades. As Cidades Invisíveis chama o espectador para atos de reflexão a partir de suas memórias, a fim de que perceba a complexidade das “cidades” que crescem dentro de cada um.

 

Projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Incentivo: Divesa e Banco do Brasil.

Apoio: Movimento Enxame – Espaço de Criação, Padaria América, Missê Mariá Comida e Arte, A Caiçara e Café do Teatro.

 

Ficha técnica:

Uma realização do Agora Coletivo em parceria com a Híbrido Produções e Plateia Produções Artísticas.

Roteiro e direção: Renato Sbardelotto| Intérpretes-criadoras: Ana Ferreira, Fabiane de Cezaro, Flávia Imirene e Vivian Schmitz| Textos: Ana Ferreira, Fabiane de Cezaro, Flávia Imirene, Vivian Schmitz e Renato Sbardelotto| Interlocução e amadrinhamento: Lía Mariana Gómez Spatakis| Direção musical e preparação vocal: Karla Izidro| Preparação Corporal: Renato Sbardelotto| Figurino: Ailime Huckembeck| Iluminação: Lucas Mattana| Cenário: Renato Sbardelotto| Estandartes: Manu Assini |Maquiagem: Lilian Marchiori |  Ilustração e Design Gráfico: Daniel Lourenço| Fotos: Eli Firmeza| Assessoria de Comunicação e Imprensa: Fernando de Proença| Direção de Produção: Renato Sbardelotto| Produção Executiva: Michele Bittencourt| Assistência de Produção: Jhon Booz

 

Serviço:

Data: De 10 a 27 de Maio

Local: Teatro Cleon Jacques (Rua Mateus Leme, 4700 – São Lourenço)

Sextas, Sábados, Domingos e Segundas às 20h.

Sextas e Segundas também às 10h.

Sábados e Domingos também às 16h.

 

Entrada Franca

* limite de 40 pessoas por sessão.

 

Classificação Indicativa: 14 anos

Informações: 41 9 99149190. mabittencourt@hotmail.com

 

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Now it is inside the theater

 

Prevented from performing in SANEPAR’s space, show The Invisible Cities has its debut delayed

(Photo: Eli Firmeza)

The play The Invisible Cities of the Agora Collective was forced to postpone its season due to a sudden disavowal. The show was scheduled to premiere this Friday (26th) at the SANEPAR’s Sanitation Museum. The decision of the company to cancel the use of the space arrived in the last minute and without justification.

Having the releases for the season and rehearsals, the group had been working in space for more than a month and performed much of the dramaturgical and scenic composition specifically for the venue. The piece would happen in a trajectory by the deactivated water reservoir and its surroundings.

In conversation with different sectors of the sanitation company, the production of Agora Collective tried to understand what were the reasons that led to the decision to cancel the use of space. The group stated that the project could not be reallocated without artistic and financial damages and proposed to adapt to the needs of SANEPAR. The company, however, always responded that the motivations were internal and, not revealing them, maintained the impediment.

Now, the work is in process of transformation to occupy the Cleon Jacques Theater starting on May 10, where it will remain in print for three weeks in a new format. Meanwhile, Agora Collective, in order to obtain a formal justification of the sanitation company, filed an extrajudicial notification to SANEPAR on Wednesday 04/24/2019, exposing the company to the administrative, operational and financial problems arising of the cancellation, last minute, of the authorization previously signed by that institution.

 

About the show

In the face of times so inflamed, with ideals so disparate among people, how to live with differences in the same space, home, city, state, country? Moreover, when the delicate opening to the other, which is proper to art, continues to be understood as a space to subjugate and exile, as happened with this play?

The Invisible Cities traces a narrative that borders the language of dreams. With mysterious, enigmatic images, it makes an analogy between the “cities” and the actresses of the work’s cast. Inspired by the personality of each of them, the play is a journey through their autobiographical stories.

 

The process had as its starting point Italo Calvino’s book of the same name, as well as walks through the streets of the historical center of Curitiba, a city that also has aspects present in the text. The notion of “territory” as identity and “body” as territory delineates a discourse that oscillates between ideas of life and death, travel and lodging, invitation and expulsion, invasion and acceptance. Now, the work takes on, in its narrative course, also its own trajectory of removal from the space of SANEPAR (from where it was withdrawn at the time of its debut), giving still focus to the various nuances of the subjectivities of the artists that compose it.

Adopting a dreamlike language, the script develops a singular narrative line, different from traditional works. In the scene we see autobiographical accounts and some digressions that carry nuances of comedy, criticism, irony and also dramatic and visual compositions that can sensitize the spectator in other levels. Those who accept the invitation to visit The Invisible Cities will know the result of a process of intense creation that touches different areas of knowledge, such as philosophy, psychology, spirituality, architecture, holistic medicine and, of course, art.

To speak of cities in a poetic way – inspired by the way Calvino does it – is a way of putting in perspective and of sensitizing to how much to live in society means exchange between complex individuals and full of subjectivities. The Invisible Cities calls the spectator to acts of reflection from their memories, in order to perceive the complexity of the “cities” that grow within each one.

 

Project carried out with the support of the Program of Support and Incentive to Culture – Cultural Foundation of Curitiba and the Municipality of Curitiba.

Incentive: Divesa and Banco do Brasil.

Support: Movimento Enxame – Espaço de Criação, Padaria América, Missê Mariá Comida e Arte, A Caiçara e Café do Teatro.

 

Inspired by the work of Italo Calvino

An accomplishment of Agora Collective in partnership with Hybrid Productions and Plateia Produções Artísticas.

Script and direction: Renato Sbardelotto | Interpreter-creators: Ana Ferreira, Fabiane de Cezaro, Flávia Imirene and Vivian Schmitz | Texts: Ana Ferreira, Fabiane de Cezaro, Flávia Imirene, Vivian Schmitz and Renato Sbardelotto | Exchange and godmotherhood: Lía Mariana Gómez Spatakis | Musical Direction and Vocal Preparation: Karla Izidro | Body Preparation: Renato Sbardelotto | Costume Designer: Ailime Huckembeck | Lighting: Lucas Mattana | Set Decoration: Renato Sbardelotto | Flags: Manu Assini | Makeup: Lilian Marchiori | Illustration and Graphic Design: Daniel Lourenço | Photos: Eli Firmeza | Communication and Press Office: Fernando de Proença | Production Management: Renato Sbardelotto | Executive Production: Michele Bittencourt | Production Assistant: Jhon Booz

 

 

The Invisible Cities

Date: From 10 to 27 May

Location: Teatro Cleon Jacques (Rua Mateus Leme, 4700 – São Lourenço)

Fridays, Saturdays, Sundays and Mondays at 8pm.

Fridays and Mondays also at 10am.

Saturdays and Sundays also at 4pm.

 

Free entrance

* limit of 40 people per session.

 

Indicative Rating: 14 years old

Information: +55 41 9 99149190. mabittencourt@hotmail.com

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Agora é URGENTE

NOTIFICAÇÃO URGENTE:

Devido à repentina e INJUSTIFICADA desistência da SANEPAR em ceder o espaço do Museu do Saneamento ao projeto As Cidades Invisíveis, o espetáculo teve sua estreia adiada.

Não seremos refreados por esta decisão inesperada – ainda que a peça tenha sido desenvolvida para ocupar especificamente o reservatório de água desativado e seu entorno.

Seguimos trabalhando, criando, produzindo, para que o espetáculo aconteça de forma íntegra e potente em novo espaço. Assim, sua estreia será no dia 10 de maio no Teatro Cleon Jacques (Parque São Lourenço).

Em breve, mais informações.

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Now it’s URGENT 

URGENT NOTIFICATION:

Due to the sudden and UNJUSTIFIED abandonment of SANEPAR in transferring the space of the Museum of Sanitation to the project The Invisible Cities, the show had its premiere delayed.

We will not be restrained by this unexpected decision – even though the piece has been developed to specifically occupy the deactivated water tank and its surroundings.

We continue working, creating, producing, so that the spectacle happens in an integral and powerful way in new space. Thus, his debut will be on May 10 at the Theater Cleon Jacques (São Lourenço Park).

Soon more information.

Agora é conversa

ATUALIZAÇÃO (20/04 às 22h07): LOCAL E DATA DA TEMPORADA DE AS CIDADES INVISÍVEIS FORAM ALTERADOS.

Mais informações em breve.

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No próximo 26 de abril, o Agora Coletivo estreia a peça As Cidades Invisíveis, na qual realiza um trajeto com o público.

A seguir, o diretor Renato Sbardelotto fala um pouco sobre as origens e as propostas do projeto.

(Foto: a atriz Ana Ferreira, por Eli Firmeza).

Sobre o que trata a peça?

A ideia do projeto começou durante a leitura de uma conferência proferida por Wim Wenders na qual explora conceitos de “identidade”, “fronteira” e “sentido de lugar”. Partindo dessas ideias comecei a pensar em como seria montar um espetáculo inspirado em uma cidade, que falasse de suas pessoas, seus trajetos, suas construções e ruínas. Durante essa reflexão, As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, me veio a mente e rimou com meus pensamentos.

No livro, o personagem Marco Polo narra ao imperador Kublai Khan cinquenta e cinco cidades por onde teria passado. Cada uma dessas cidades possui um nome de mulher, uma lógica própria e uma estrutura bastante onírica. O conceito de “cidade” é posto sob a perspectiva de que são impulsos inconscientes que dão forma a sua estrutura. Nossas ações e relações são regidas por desejos e medos e é essa subjetividade que determina as necessidades que desenham tanto o que é visível, como também o que é invisível.

Nessa direção, o espetáculo traça uma narrativa que beira a linguagem dos sonhos, com imagens misteriosas, enigmáticas, e faz uma analogia entre as “cidades” e as mulheres que formam o elenco do trabalho. Inspirada na personalidade de cada uma delas, As Cidades Invisíveis é uma trajetória por suas histórias autobiográficas. E quando digo “trajetória” é também porque literalmente há um trajeto que se faz com o público por um espaço de múltiplos cenários.

O processo de montagem começou com caminhadas pelas ruas de Curitiba e também carrega em sua dramaturgia aspectos da capital do estado. A escolha do local de apresentação também se deu em decorrência dessas caminhadas. Ao ocupar uma antiga estação de tratamento de água, hoje “Museu do Saneamento”, o espetáculo compõe com diversos cenários desse lugar. A presença oculta, mas tão latente, da água, elemento feminino, fugidio como a memória, é lembrança do próprio espaço, que flui, transborda e fertiliza pela voz dessas mulheres.

 

Por que fazer esta peça neste momento?

A autobiografia em cena dá ao intérprete uma oportunidade muito poderosa de incorporar sua própria experiência de vida no território da ficção/performatividade. Nesse lugar, a história da pessoa não apenas mantém sua individualidade, como também passa a ser, em diferentes níveis, a história de todos. A ela se atribui um caráter de mito, o que gera uma série de desdobramentos e ressignificações sobre si mesmo e sobre o todo. Esse exercício acaba por tocar não apenas o campo da experiência estética, mas também terapêutica e espiritual. Uma reflexão sobre si é também abertura de caminho em direção ao outro.

Diante de tempos tão inflamados, com ideais tão díspares entre as pessoas, como conviver com as diferenças em um mesmo espaço, casa, cidade, estado, país? Insurgir cada vez mais na arte, com arte e através da arte é um ato de resistência por si só. Mas me pergunto se essa postura realmente é suficiente. Se a arte de seguir fazendo espetáculos de teatro basta, se podemos ir além. O processo de montagem nos oportunizou a abertura do olhar para a energia feminina, ponto neutro, que nada anseia e tudo acolhe, diante de todo o caos do movimento humano. A meditação como prática dentro dos ensaios tem sido uma chave para recuperar essa energia, invisível e subjugada ao longo da história. A cada dia que passa a arte se revela como um potencial lugar de acolhimento, de encontro, de repouso, recuperação, respiradouro, troca, colo e morada. Além da meditação, que enraíza nosso inconsciente no trabalho, a pesquisa sobre nossos materiais autobiográficos tem gerado também a reflexão sobre nossas identidades, a tomada de consciência e a cura. Acredito que curar a si é curar o outro e o todo, aos poucos. E nessa direção um processo como esse vai muito além das fronteiras que conhecemos como arte do espetáculo.

Falar poeticamente de cidades – inspirados pelo modo como Calvino o faz – é uma forma de colocarmos em perspectiva e de sensibilizarmos para o quanto viver em sociedade significa troca entre indivíduos complexos e repletos de subjetividades. Todo sujeito é formado por tantos aspectos entrecruzados que forma, ele mesmo, uma espécie de cidade, um conjunto de subjetividades que podem ser vistas através daquilo que ele materializa, das suas ações e relações. Quando falamos em uma cidade literal, temos então um emaranhado de complexos cidades-indivíduos. A cada vez que a escala aumenta, temos mais noção do quão pouco objetivo o mundo é. Somos, cada um, um universo que, com suas vivências, assume perspectivas com relação aos outros universos nas mais diversas escalas: o sujeito, a sociedade, o mundo contemporâneo.

 

Como aconteceu a escolha do espaço?

Estávamos na busca por um lugar a céu aberto, natural, mas que ao mesmo tempo sublinhasse a estrutura de uma cidade e seus aspectos históricos. Ele deveria oportunizar a possibilidade de um trajeto com o público e ao mesmo tempo abrigar cenas mais intimistas. A partir das caminhadas pelas ruas da cidade chegamos ao Museu do Saneamento, espaço que além de compor dramaturgicamente com o espetáculo recebeu de braços abertos a proposta.

 

Como foi construída a cidade/universo de cada atriz?

No livro de Calvino, Marco Polo narra ao imperador Kublai Khan cinquenta e cinco cidades por onde teria passado. Cada uma dessas cidades tem nome de mulher e uma lógica e personalidade próprias. Inspiradas nestas cidades e na forma como Calvino as descreve, cada uma das atrizes escreveu o texto de sua própria cidade. Ana tem uma cidade cujo nome é Ana também, por exemplo. Nessa narrativa, ela apresenta características que refletem muito do que é a própria autora, como se desse corpo seu próprio universo, as questões que a movem no mundo, seus enigmas, as relações entre seu maior desejo e seu maior medo.

 

O que o espectador poderá ver aceitando o convite para estar junto com vocês?

A peça descreve uma trajetória com o público dentro de um espaço pouco conhecido e descentralizado da cidade de Curitiba. Assumindo o onirismo como linguagem, o roteiro desenvolve uma linha narrativa singular, diferente de montagens tradicionais. Em cena vemos relatos autobiográficos e algumas digressões que carregam nuances de comicidade, crítica, ironia e também composições dramatúrgicas e visuais que podem sensibilizar o espectador em outros níveis. Quem aceitar o convite para visitar As Cidades Invisíveis conhecerá o resultado de um processo de criação intenso, muito bonito e que toca diferentes áreas do conhecimento, como a filosofia, a psicologia, a espiritualidade, a arquitetura, a medicina holística e, claro, a arte.

 

Que espaços o grupo deseja que o espectador adentre com o trabalho?

O convite é para adentrar espaços de suas próprias memórias. Que o espectador perceba a complexidade das “cidades” que crescem dentro de cada um. E dê atenção às suas próprias “cidades”. Que se adentre em seus próprios espaços. Se a gente quer curar o que a gente considera doente, desumano, e que está fora, nessa cidade e nos discursos que nos cercam, curar a “cidade” de dentro é o ponto de partida. Ao fechar a narrativa de As Cidades Invisíveis Calvino nos dá uma pista:

“O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: procurar saber e reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço”.

 

Serviço:

As Cidades Invisíveis

De 26 de Abril a 20 de Maio

Sextas, Sábados, Domingos e Segundas às 20h. Sábados e Domingos também às 16h.

Local: Museu do Saneamento. Rua Eng. Antônio Batista Ribas, 151 – Tarumã.

Entrada Franca.

Limite de 50 pessoas por sessão.

Em caso de chuva meia hora antes não haverá apresentação. Contato: (41) 9 9914-9190. mabittencourt@hotmail.com

 

Ficha técnica: 

Inspirada na obra de Ítalo Calvino

Roteiro e direção: Renato Sbardelotto

Intérpretes-criadoras: Ana Ferreira, Fabiane de Cezaro, Flávia Imirene e Vivian Schmitz.

Textos: Ana Ferreira, Fabiane de Cezaro, Flávia Imirene, Vivian Schmitz e Renato Sbardelotto.

Interlocução e amadrinhamento: Lía Mariana Gómez Spatakis.

Direção musical e preparação vocal: Karla Izidro.

Preparação Corporal: Renato Sbardelotto.

Figurino: Ailime Huckembeck.

Iluminação: Lucas Mattana.

Cenário: Renato Sbardelotto.

Ilustração e Design Gráfico: Daniel Lourenço.

Fotos: Eli Firmeza.

Assessoria de Comunicação e Imprensa: Fernando de Proença.

Direção de Produção: Renato Sbardelotto.

Produção Executiva: Michele Bittencourt.

Assistência de Produção: Jhon Booz.

 

Uma realização do Agora Coletivo em parceria com a Híbrido Produções e Plateia Produções Artísticas.

Projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Incentivo: Divesa e Banco do Brasil.

Apoio: Sanepar, Padaria América, Missê Mariá Comida e Arte, A Caiçara e Café do Teatro.

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Now it’s conversation

 

On April 26, Agora Collective debuts the piece The Invisible Cities, in which it walks with the public.

The director Renato Sbardelotto talks a little about the origins and the proposals of the project.

(Picture: the actress Ana Ferreira, by Eli Firmeza)

What is the piece about?

The idea of ​​the project began during the reading of a conference given by Wim Wenders in which he explores concepts of “identity”, “frontier” and “sense of place”. Starting from these ideas, I began to think about what it would be like to set up a show inspired by a city that spoke of its people, its routes, its buildings and its ruins. During this reflection, The Invisible Cities, from Italo Calvino, came to mind and rhymed with my thoughts.

In the book, the character Marco Polo tells the emperor Kublai Khan fifty-five cities where he would have passed. Each of these cities has a woman’s name, a logic of its own and a very dreamlike structure. The concept of “city” is put under the perspective that they are unconscious impulses that give shape to its structure. Our actions and relationships are governed by desires and fears and it is this subjectivity that determines the needs that draw both what is visible and what is invisible.

In this direction, the show traces a narrative that borders the language of dreams, with mysterious, enigmatic images, and makes an analogy between the “cities” and the women who form the cast of the work. Inspired by the personality of each of them, The Invisible Cities is a trajectory for their autobiographical stories. And when I say “trajectory” it is also because there is literally a path that is done with the audience through a space of multiple scenarios.

The assembly process began with walks through the streets of Curitiba and also carries in its dramaturgy aspects of the state capital. The choice of place of presentation was also due to these walks. When occupying an old water treatment plant, today “Sanitation Museum”, the show composes with several scenarios of that place. The hidden presence (but so latent) of the water –female element, fugitive as memory – is a memory of space itself, which flows, overflows and fertilizes by the voice of these women.

 

Why do this play right now?

The autobiography on the scene gives the performer a very powerful opportunity to incorporate his or her own life experience into the realm of fiction / performativity. In this place, the story of the person not only maintains his individuality, but also becomes, at different levels, the history of all. It is attributed a character of myth, which generates a series of unfoldings and resignifications about itself and the whole. This exercise ends up touching not only the field of aesthetic experience, but also therapeutic and spiritual. A reflection on itself is also opening the way towards the other.

In the face of times so inflamed, with ideals so disparate among people, how to live with differences in the same space, home, city, state, country? Insurging more and more in art, with art and through art is an act of resistance in itself. But I wonder if that posture really is enough. If the art of continuing to do theater shows is enough, if we can go further. The assembly process allowed us to open our eyes to the feminine energy, a neutral point that desires nothing and welcomes everything, in the face of all the chaos of human movement. Meditation as a practice within trials has been a key to recovering this energy, invisible and subjugated throughout history. With each passing day, art reveals itself as a potential place of welcome, meeting, rest, recuperation, breathing, exchange, lap and dwelling. In addition to meditation, which rooted our unconscious at work, research on our autobiographical materials has also generated reflection on our identities, awareness and healing. I believe that healing yourself is healing the other and the whole, little by little. And in that direction a process like this goes far beyond the boundaries we know as the art of the spectacle.

Speaking poetically of cities – inspired by the way Calvin does it – is a way of putting ourselves in perspective and of sensitizing us to how much to live in society means exchange between complex individuals and full of subjectivities. Every subject is formed by so many crisscrossed aspects that he himself forms a kind of city, a set of subjectivities that can be seen through what he materializes, of his actions and relations. When we speak of a literal city, then we have a tangle of complex individual-cities. Each time the scale increases, we are more aware of how little objective the world is. We are each a universe that, with its experiences, assumes perspectives with respect to the other universes in the most diverse scales: the subject, the society, the contemporary world.

 

How did the choice of space happen?

We were in search of an open and natural place, but at the same time underlining the structure of a city and its historical aspects. It should allow the possibility of a route with the public and at the same time shelter more intimate scenes. From the walks through the streets of the city we arrived at the Sanitation Museum, a space that composes dramaturgically with the show, besides having received the proposal with open arms.

 

How was the city / universe of each actress built?

In the book of Calvin, Marco Polo tells the emperor Kublai Khan fifty-five cities through which he would have passed. Each of these cities has a woman’s name and a logic and personality of its own. Inspired in these cities and in the way Calvin describes them, each of the actresses wrote the text of their own city. Ana has a city whose name is Ana too, for example. In this narrative, it presents characteristics that reflect much of what the author herself is, as if from her body her own universe, the questions that move her in the world, her enigmas, the relationships between her greatest desire and her greatest fear.

 

What can the viewer see by accepting the invitation to be with you?

The play describes a trajectory with the public within a little known and decentralized space of the city of Curitiba. With a dream language, the script develops a singular narrative line, different from traditional montages. In the scene we see autobiographical accounts and some digressions that carry nuances of comedy, criticism, irony and also dramatic and visual compositions that can sensitize the spectator in other levels. Those who accept the invitation to visit The Invisible Cities will know the result of an intense, beautiful process of creation that touches different areas of knowledge, such as philosophy, psychology, spirituality, architecture, holistic medicine and, of course, art.

 

What spaces does the group want the viewer to get in with the work?

The invitation is to enter spaces of your own memories. Let the spectator perceive the complexity of the “cities” that grow within each one. And pay attention to your own “cities.” Let them enter into their own spaces. If you want to heal what you consider to be sick, inhuman, and that you are outside, in this city and in the discourses that surround us, healing the “city” from within is the starting point. In closing the narrative of The Invisible Cities Calvin gives us a clue:

“The hell of the living is not something that will be. If there is one, it is that which is already here, the hell we live in every day, that we form together. There are two ways of not suffering. The first is easy for most people: to accept hell and become part of it to the point of not realizing it. The second is risky and requires continuous attention and learning: to seek to know and to recognize who and what, in the middle of hell, is not hell, and preserve it, and make room.”

 

The Invisible Cities

From April 26th to May 20th

Fridays, Saturdays, Sundays and Mondays at 8pm. Saturdays and Sundays also at 4pm.

Location: Sanitation Museum. Rua Eng. Antônio Batista Ribas, 151 – Tarumã.

Free entrance.

Limit 50 people per session.

In case of rain half an hour before there will be no presentation. Contact: (41) 9 9914-9190. mabittencourt@hotmail.com

 

Cast and Crew:

Inspired by the work of Italo Calvino

Script and direction: Renato Sbardelotto

Interpreter-creators: Ana Ferreira, Fabiane de Cezaro, Flávia Imirene and Vivian Schmitz.

Texts: Ana Ferreira, Fabiane de Cezaro, Flávia Imirene, Vivian Schmitz and Renato Sbardelotto.

Exchange and godmotherhood: Lia Mariana Gómez Spatakis.

Musical direction and vocal preparation: Karla Izidro.

Body Preparation: Renato Sbardelotto.

Costume Designer: Ailime Huckembeck.

Lighting: Lucas Mattana.

Scenario: Renato Sbardelotto.

Illustration and Graphic Design: Daniel Lourenço.

Photos: Eli Firmeza.

Communication and Press Office: Fernando de Proença.

Production Director: Renato Sbardelotto.

Executive Production: Michele Bittencourt.

Production Assistance: Jhon Booz.

 

An accomplishment of Agora Collective in partnership with Híbrido Produções and Plateia Produções Artísticas.

Project carried out with the support of the Program of Support and Incentive to Culture – Cultural Foundation of Curitiba and the Municipality of Curitiba.

Incentive: Divesa and Banco do Brasil.

Support: Sanepar, Bakery America, Missê Mariá Food and Art, The Caiçara and Café do Teatro.

 

Agora é processo criativo

Agora, sim! Começa oficialmente o processo criativo do projeto As Cidades Invisíveis.

O espetáculo de rua parte do livro homônimo de Ítalo Calvino e propõe uma criação site-specific nas ruas, travessas, becos, botecos, buracos, frestas, pessoas, largos, sonhos e ruínas do centro histórico de Curitiba.

A direção é de Renato Sbardelotto e o elenco é formado por Ana Ferreira, Fabiane de Cezaro, Flávia Imirene e Vivian Schmitz. Integrantes do Agora Coletivo, eles trabalham em parceria com a Híbrido Produções e a Plateia Produções Artísticas, que viabilizam a montagem que tem estreia marcada para Abril de 2019.

O projeto tem o incentivo da Jeep, Banco do Brasil e o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura, Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura Municipal de Curitiba.

Foto de Eli Firmeza

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Now it’s the creative process

Now it’s official: begins the creative process of The Invisible Cities project.

The street play starts from Italo Calvino’s eponymous book and proposes site-specific creation in the streets, alleys, bars, holes, crevices, people, broadways, dreams and ruins of the historical center of Curitiba.

Direction by Renato Sbardelotto and cast formed by Ana Ferreira, Fabiane de Cezaro, Flavia Imirene and Vivian Schmitz. Members of Agora Collective, they work in partnership with Híbrido Produções and Plateia Produções Artísticas, which enable the assembly that is scheduled to debut in April 2019.

The project has the incentive of Jeep, Banco do Brasil and is supported by the Program of Support and Incentive to Culture, Cultural Foundation of Curitiba and Municipality of Curitiba.

Picture by Eli Firmeza.

Agora é rufar de tambores

Tem novidade chegando!

Senhoras e senhores…

(Rufar de tambores)

CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM

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Now it is drum roll

There is news coming!

Ladies and gentlemen…

(Drum roll)

CONTINUES ON THE NEXT POST

Agora sim, Sobreposição em vídeo

Agora sim, aqui está o vídeo com trechinhos de Sobreposição, performance que foi realizada na Airez Galeria em Curitiba em dezembro de 2017.

De autoria de Ana Ferreira, o trabalho contou com a participação das performers Sauane Buenos (Curitiba) e Kamila Demkova (EUA).

 

Sobreposição é parte do projeto Obra em Progresso, que dialoga com o livro Finnegans Wake de James Joyce. Também o integram as performances Streaming e Cartografia. Outras ainda estão por vir.

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Now the video of Overlay

Now, here is the video with clips of Overlay, performance that was held at the Airez Gallery in Curitiba in December 2017.

The work of Ana Ferreira was also performed by Sauane Buenos (Curitiba) and Kamila Demkova (USA).

Overlay is part of the Work in Progress project, which dialogues with James Joyce’s Finnegans Wake. The performances Streaming and Cartography are also part of it. Others are yet to come.

Agora é vídeo

Pra quem perdeu a experiência de Cartografia, fragmento da Obra em Progresso, pode sentir um gostinho neste vídeo:

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Now, it’s video 

Fot those who lost Cartography experience, a fragment of the Work in Progress, you can have some on this video.

Agora é fotografia

Imagens de Cartografia, fragmento da Obra em Progresso, por Juliana Luz.

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Now it’s Photography

Images of Cartography, a fragment of the Work in Progress, by Juliana Luz.

 

Agora são os créditos

A gente fez muito mistério sobre os artistas que estavam no elenco e na narração em áudio do Cartografia (mais um fragmento da Obra em Progresso), tudo para não estragar o efeito da infiltração no espaço público. Deu certo, pois outros artistas coincidentemente cruzaram nosso caminho e interagiram espontaneamente com a intervenção na rua, assim como um bocado de gente que não é artista também.

Mas quem assistiu ao acontecimento descobriu a certa altura todos os que dele faziam parte e agora é hora de dar os merecidos créditos a esta gente cheia de talento.

FICHA TÉCNICA DE CARTOGRAFIA: 

Vozes: Ana Ferreira, Michele Pucci, Luiz Felipe Leprevost, Eduardo Ramos, Otávio Linhares, Daniel Starck e Renato Sbardeloto

Artistas no espaço público: Airton Rodrigues, Cláudia Regina, Eduardo Simões, Renato Sbardelotto e Thaís Menezes

Concepção, texto e direção: Ana Ferreira, apoiando-se num velho amigo, o Sr James Joyce.

Produção: Ana Rivelles

Edição de áudio: Ana Ferreira

Apoio: Centro Cultural Teatro Guaíra e Mabu Hotel

Realização: Agora Coletivo, Airez Galeria e Bienal Internacional de Curitiba

Agradecimentos: Luci Teixeira Iachinski – Intérprete de Libras e Um Duo – Grupo de Música de Câmara da Orquestra Filarmônica da UFPR.

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Now it’s the credits

We made a lot of mystery about the artists who were in the cast and the audio narration of Cartography (another fragment of the Work in Progress), all in order not to spoil the effect of infiltration in the public space. It worked, because other artists coincidentally crossed our path and interacted spontaneously with the intervention on the street, as well as a lot of people who are not artists.

But those who attended the event discovered at a certain point all those who were part of it and now it is time to give the deserved credits to these people full of talent.

TECHNICAL SHEET OF CARTOGRAPHY:

Voices: Ana Ferreira, Michele Pucci, Luiz Felipe Leprevost, Eduardo Ramos, Otávio Linhares, Daniel Starck and Renato Sbardeloto

Artists in the public space: Airton Rodrigues, Cláudia Regina, Eduardo Simões, Renato Sbardeloto and Thaís Menezes

Conception, text and direction: Ana Ferreira, leaning on an old friend, Mr. James Joyce.

Production: Ana Rivelles

Audio editing: Ana Ferreira

Support: Cultural Center Teatro Guaíra and Mabu Hotel

Initiative: Agora Collective, Airez Gallery and International Biennial of Curitiba

Acknowledgments: Luci Teixeira Iachinski – Performer of Pounds and A Duo – Chamber Music Group of the UFPR Philharmonic Orchestra.

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